Slide

O que é o Método Charlotte Mason?

O método Charlotte Mason nasce de uma convicção central de Charlotte: a criança é uma pessoa. Por isso, a educação não deve formar apenas a inteligência, mas a pessoa inteira — mente, corpo, coração, caráter, imaginação, vontade e vida espiritual.

A própria Charlotte resumiu essa visão em uma frase célebre: “Educação é uma Atmosfera, uma Disciplina, uma Vida“.

Uma Atmosfera, uma Disciplina, uma Vida

Por “Atmosfera“, Charlotte se referia ao ambiente em que a criança vive e cresce. A criança absorve muito mais do que aquilo que lhe é ensinado formalmente: ela aprende pelo tom da casa, pelas conversas, pelos hábitos dos adultos, pelos livros que vê, pela ordem, pela beleza e pelas ideias que circulam ao seu redor. Por isso, Charlotte acreditava que as ideias que regem sua vida como pai ou mãe compõem uma parte essencial da educação dos filhos.

Por “Disciplina“, Charlotte entendia principalmente a formação de bons hábitos. Não se trata de rigidez artificial, mas da construção paciente de hábitos de vida, de pensamento e de caráter. A atenção, a obediência, a ordem, a veracidade, a cortesia e o melhor esforço são exemplos de hábitos que sustentam uma educação verdadeira. O cultivo desses hábitos constitui outra parte fundamental da formação da criança.

O terceiro aspecto é a “Vida“. Aqui, Charlotte se referia especialmente ao alimento da mente. Assim como o corpo precisa de alimento vivo e nutritivo, a mente precisa de ideias vivas. Por isso, a educação não deve se limitar à transmissão de fatos secos, resumos prontos ou exercícios mecânicos. A criança precisa entrar em contato com pensamentos nobres, linguagem rica, bons livros, natureza, arte, música, história, ciência e tudo aquilo que desperta relações vivas com o mundo.

Métodos vivos

Na prática, isso significa que os estudantes educados segundo Charlotte Mason usavam livros vivos em vez de livros didáticos secos e excessivamente resumidos. Um livro vivo geralmente é escrito em forma narrativa, por um autor que conhece e ama o assunto. Ele não apenas informa: ele faz o tema ganhar vida diante da imaginação da criança.

Depois da leitura, os alunos eram convidados a contar, ou narrar, com suas próprias palavras aquilo que haviam ouvido ou lido. Esse exercício de narração ajudava a criança a reter, organizar e tornar pessoal o conhecimento. Em vez de preencher lacunas ou escolher alternativas em testes de múltipla escolha, ela usava uma linguagem rica para expressar as ideias recebidas, fazer conexões e relacionar o novo conhecimento ao que já habitava sua mente e seu coração.

Charlotte também ensinava caligrafia e ortografia a partir de passagens de bons livros, cheias de beleza, sentido e grandes ideias, em vez de depender apenas de listas soltas de palavras.

Ela incentivava as crianças a passar tempo ao ar livre, observando diretamente a criação de Deus, conhecendo plantas, animais, estações, paisagens e fenômenos naturais em primeira mão.

Também apresentava aos alunos as obras de grandes artistas e compositores, permitindo que eles passassem tempo com essas obras, observassem com atenção e desenvolvessem familiaridade real com a beleza.

Seu currículo oferecia um verdadeiro banquete de ideias por meio de uma ampla variedade de assuntos: de Shakespeare ao tricô, da Bíblia à observação do mundo natural, da álgebra ao canto, das artes às línguas estrangeiras.

E, atravessando todos esses estudos, Charlotte enfatizava os hábitos de plena atenção, melhor esforço e amor pelo conhecimento por seu próprio valor.

Tudo isso tinha um propósito: ajudar a criança a crescer como pessoa. Afinal, aprendemos não apenas para acumular informações, mas para crescer em sabedoria, caráter, imaginação, responsabilidade e amor pelo que é verdadeiro, bom e belo.

Não é de se admirar que tantas famílias educadoras tenham adotado a filosofia e os métodos de Charlotte Mason ao buscar uma educação que forme a criança por inteiro.

 

Originalmente publicado por simplycharlottemason.com. Traduzido e usado com permissão.

Deixe um comentário